Dra. Alexandra Côrte-Real

É uma das novidades da Clínica Parque da Cidade para 2017, o novo Centro de Exercício Clínico que está a cargo da Dra. Alexandra Corte-Real. Esta entrevista quer trazer-vos todas as novidades que estão agora disponíveis na sua clínica de eleição e apresentar-vos a Dra. Alexandra.

 

Quer apresentar-nos o novo Centro de Exercício Clínico (CEC)?

O Centro de Exercício Clínico é um espaço dedicado à atividade física que se distingue dos grandes ginásios por ser um espaço calmo e tranquilo (sem ecrãs de televisão e sem música com decibéis elevados e batidas extenuantes!), onde a qualidade do exercício realizado é fundamental, pensado exclusivamente para aquela pessoa.

É essencial para nós, a individualidade de quem nos procura. Sabemos que cada pessoa tem caraterísticas próprias, quotidianos específicos, modos de vida e personalidades distintas. Assim, o acompanhamento individualizado, o grau de atenção e dedicação exclusiva a cada aluno/paciente, em cada exercício, é um método de trabalho do qual o Centro de Exercício Clínico não abdica.

 

Quem são as pessoas que devem procurar o Centro de Exercício Clínico? Com que sintomatologia?

São sobretudo pessoas que sabem o quão importante é fazer exercício, necessitam de realizar atividade física como todos nós, mas não o fazem, porque têm dores. De repente, e sem darmos conta instala-se um ciclo vicioso :“Não faço exercício, porque tenho dores. Tenho dores porque não faço exercício.”

O Centro de Exercício Clínico ajuda a quebrar este ciclo. Em primeiro lugar, tentamos perceber qual é o problema do paciente. Depois, preocupamo-nos em perceber qual a causa desse problema.

Chegam-nos muitas vezes, pessoas com dores de costas extremamente incapacitantes, que não conseguem estar dez minutos de pé, ou dormir 7 horas sem que acordem sem dores… têm problemas lombares, muito limitativas de uma vida ativa de qualidade, ou têm vidas tão stressantes, que “convivem”  permanentemente com contraturas cervicais, com dores de cabeça… é uma infinidade de situações. Dando mais exemplos de quem nos pode procurar, pessoas de idade mais avançada, que correm um maior risco de lesões relacionadas com quedas. Sabemos que a densidade óssea e a massa muscular diminuem com o avançar da idade, assim como a capacidade de equilíbrio. Todas estas questões devem ser trabalhadas numa perspetiva de prevenção. Por estarmos integrados na Clínica Parque da Cidade, reconhecida pela sua competência na área da medicina dentária procuram-nos também pessoas que apresentam problemas a nível da articulação temporo-mandibular.

No Centro de Exercício Clínico realizamos um trabalho regular e sistemático de reforço muscular, através de um trabalho funcional e simultaneamente promotor de uma aprendizagem da consciência corporal, que consideramos fundamental na obtenção de uma postura correta e consequentemente numa vida ativa, com ausência de dor.

 

Que tipo de avaliação é feita ao paciente?

 

Realizamos uma avaliação que contempla 2 aspetos fundamentais: a avaliação postural e a avaliação funcional. Avaliamos a existência ou não de desvios posturais, nomeadamente, se o paciente apresenta por exemplo, posturas cifóticas, escolioses, hiperlordoses.

A avaliação funcional consiste na observação de determinados padrões de movimento.

Um padrão representa muitos movimentos individuais usados numa determinada ação e com definida função, que se “consciencializam” como se se tratassem de elos de uma corrente. O armazenamento dentro do cérebro dessas sequências de informações ou padrões reduz o tempo de processamento e cria eficiência. Basicamente, a avaliação funcional  permite-nos verificar com eficácia a existência ou não de assimetrias e disfunções na realização de determinados padrões de movimento. A literatura diz-nos que a existência de assimetrias e disfunções aumentam o risco de lesões em 3,5 vezes.

 

Com base em que parâmetros?

No que diz respeito à avaliação postural, observamos os possíveis desalinhamentos posturais que o paciente poderá ter: nomeadamente, a nível dos ombros, pelve, pernas e pés.

Relativamente à avaliação funcional, observamos 7 movimentos padrão onde verificamos a competência de mobilidade e a estabilidade corporal, isto é, a competência de controle motor estático e  de controle motor em movimento (dinâmico).

 

Qual é a importância de uma boa postura?

Quando falamos em postura correta imaginamos que a nossa cabeça, coluna vertebral, membros superiores e inferiores estão devidamente alinhados e  equilibrados perante a ação  da força da gravidade, sendo os ossos, juntamente com os músculos a nossa estrutura de sustentação .

Todos os músculos do corpo trabalham num esforço coordenado para que possamos manter-nos eretos e fazer os diversos movimentos de que temos necessidade, procurando respeitar sempre as curvaturas que uma coluna normal apresenta. Uma postura errada ou viciosa sobrecarrega as articulações, bem como pode levar à sobrecarga muscular com as consequentes contraturas e espasmos, com quadro de desconforto e dor.

Más posturas constantes, todos os dias, pode ter como uma das consequências, o aparecimento de dor na coluna vertebral! 80% da população portuguesa tem pelo menos um episódio de dor nas costas durante a sua vida! É uma percentagem elevadíssima!

 

Porque nos devemos preocupar com a postura?

Porque temos um só corpo a vida inteira! E o nosso corpo deve ser merecedor de uma atenção e cuidado da parte de cada um de nós! Temos de o conhecer, e dar-lhe “os meios” que ele necessita para se manter saudável. É nesta atenção, que entra também  a necessidade de todos termos uma postura correta.

Se respeitarmos a nossa coluna vertebral, com atitudes posturais adequadas, detentores de articulações com capacidade de mobilidade e amplitude na realização do  movimento e uma estrutura muscular forte, estabilizadora e que  seja capaz de sustentar com  eficácia este “fio de prumo” , muitos dos nossos problemas físicos desaparecerão!

O ser humano não está preparado do ponto de vista anatómico, para o estilo de vida que leva!

Precisa de ter uma forte estrutura muscular, desenvolvida equilibradamente para aguentar 8 horas por dia sentado numa secretária em frente ao computador, por exemplo!

Posso dar-lhe alguns exemplos de sinais de uma má postura: Um ombro mais alto que outro, a cabeça “avançada”, posição curvada ao andar, sensação de formigueiro ou entorpecimento numa das mãos, dores nos maxilares, dores de cabeça, dores no pescoço… enfim, muitas vezes a principal causa deste tipo de problemas advém de más posturas ao longo dos anos.

Quanto mais tempo persiste um hábito postural pobre, mais difícil é de corrigir e mais problemas trás .

 

A equipa médica é constituída por especialistas em diferentes áreas da saúde, nomeadamente Medicina Dentária, Professor de Educação Física, Fisioterapia, Psicologia, Fisioterapeuta, osteopatia, terapia da fala e sempre que necessário com acompanhamento de ortopedia, o que nos leva a uma abordagem holística e integrada de cada paciente. É mesmo assim? Podemos dizer que este é o grande factor de diferenciação do CEC?

Sem dúvida que é também um dos aspetos que nos diferencia de muitos ginásios. O Centro de Exercício Clínico vê o paciente, tal como disse, como um todo. Diagnosticamos o problema, mas debruçamo-nos e trabalhamos a causa daquele problema. O que é que está a causar dor? Stress? Problemas estruturais, do foro esquelético? Ausência de músculos fortes? Somente uma inflamação? Problemas de falta de flexibilidade? Problemas posturais? Excesso de peso? Enfim, de acordo com o diagnóstico e após identificação da causa, são chamados a intervir os técnicos específicos. Dou-lhe um exemplo, se um paciente apresenta problemas de oclusão, (range os dentes enquanto dorme, por exemplo, com um quadro sintomático de dor e tensão no pescoço), há num primeiro momento uma intervenção a nível da fisioterapia, para resolver as contraturas cervicais e só  depois, é que fazemos todo o trabalho postural, de mobilidade e de reforço muscular  com este paciente.

 

Há algumas patologias interessantes e que ninguém associaria à primeira vista, como é o caso da interferência da coluna cervical com a articulação temporal-mandibular, ou seja, com o “encaixe” saudável do maxilar superior e inferior. Quer explicar-nos sucintamente?

O que a mandíbula tem a ver com as dores nas costas? Muita coisa. Disfunções na articulação temporo-mandibular (ATM), responsável pela mastigação, pelo abrir e fechar a boca, pelo bocejar, podem provocar problemas na coluna lombar, na cervical, no pescoço…. E vice-versa. A razão da ligação tão íntima entre as duas partes do corpo, são as fáscias musculares, uma película que envolve todos os músculos do nosso corpo. Elas poderão ser o caminho para se descobrir a causa de dores que atrapalham o dia a dia.

A fáscia superficial cervical (zona posterior do corpo) por exemplo, está ligada até ao quadril. E anteriormente, da mandíbula até à pelve. Uma lesão na pelve pode, através do sistema fascial, atingir a articulação temporo-mandibular e vice- versa. As tensões musculares transmitem-se passando de uma estrutura próxima, para a mais distante ao longo de uma cadeia miofascial.

 

Há outras situações inusitadas que lhe parece interessante partilhar?

Por exemplo, alguém que trabalha muitas horas sentado em frente ao computador. Se não tiver uma musculatura abdominal forte, bem como uns bons músculos extensores lombares, vai ter seguramente dores no fundo das costas (dores lombares). Tem que reforçar os músculos estabilizadores da coluna.

Alguém que goste de correr ou de jogar golfe, se não preparar o seu corpo, em algum momento, vai sentir dor! Temos de estar preparados fisicamente quer para correr a maratona, quer para conseguir pegar num neto ao colo!

 

Uma memória de infância?

Quando era miúda (uns sete, oito anos), as minhas primas andavam todas na ginástica e eu fazia natação. Lembro-me que eu, pespineta, é que lhes dava aulas de ginástica, nas nossas brincadeiras! Obrigava-as a fazer os exercícios em que pensava! Já tinha a mania de pôr tudo a mexer!

 

Em criança o queria ser quando crescesse?

Sempre quis ser professora, tal como a minha Mãe.

 

O que é que a fascina na Educação Física?

A Educação Física é uma área do conhecimento muito vasta, que se estende a muitas práticas corporais humanas. Fascina-me pensar no quanto a atividade física ou desportiva consegue de facto fazer a diferença na vida das pessoas.. ..quer na sua formação enquanto pessoa, (verifico isso todos os dias na escola, com os meus alunos): a capacidade de auto- superação, desenvolvimento da auto estima, a relação comigo próprio (com o corpo que tenho) e com os outros, o fair-play… e depois também a atividade física na perspetiva da saúde. Fico muito feliz, quando consigo acrescentar algo positivo na vida de alguém. Sabe que quando se vive lado a lado com a dor, fica-se grato para toda a vida, quando nos ajudam a viver sem dor! Tenho alunas que trabalham comigo há 15 anos! O exercício físico, o desporto,  tem potencialidades ilimitadas, a todos os níveis, quando bem orientado .

 

Como foi a sua entrada para a Clínica Parque da Cidade?

Apresentou-se  uma oportunidade de uma forma muito natural. Tendo  trabalhado como professora de Educação Física muitos anos aqui no Porto, numa clínica especializada em coluna vertebral, e numa conversa  informal com o meu irmão Luís, que é o diretor clínico da Clínica Parque da Cidade, pensamos que faria todo o  sentido trabalharmos em conjunto, pelas múltiplas razões já expostas.

 

Quais são os valores comuns da Clínica Parque da Cidade que mais admira?

Em primeiro lugar, a forma como a clínica trata os seus pacientes, com muita competência e profissionalismo.

Depois, a  sua capacidade de abertura ao conhecimento, o ambiente excelente entre todos, de entre-ajuda, de partilha de conhecimento, sempre a pensar no que é melhor para quem nos procura!

 

Qual é o conselho que mais dá aos seus pacientes, e porquê?

Tenha uma vida ativa! Conheça-se bem a si próprio e veja o que gosta realmente de fazer! E obrigue-se a fazer! Seja andar, nadar, patinar, jogar, jardinar… mas primeiro, verifique se o  seu corpo está devidamente preparado  para a atividade que gosta de fazer!

Comece por colocar “o umbigo nas costas”, durante 24 horas….., que é com quem diz, parede abdominal acordada, fortalecida!!

 

Livro

“Terças feiras com Morris”. Um amigo (aluno) que visita todas as terças feiras outro amigo (professor) que está muito doente, e conversam sobre uma infinidade de temas, inclusivamente sobre a aceitação da morte, um fenómeno tão natural como  nascer, muito interessante!

 

Disco

O primeiro álbum que comprei com 14 anos : O primeiro  álbum dos Genesis, já não me lembro do nome…..

 

Filme

Invictus”. Foi um filme que me tocou muito! Pela personalidade ímpar de Nelson Mandela e pela veracidade da história, com o desporto  como pano de fundo.

 

Série de TV

Brothers and Sisters”. Talvez por vir de  uma família grande, (éramos 5 irmãos) e me identificar com muitas situações; e pela riqueza das diferentes relações humanas que se estabelecem no desenrolar da série.

 

Aventura

A minha produção agrícola de CHUCHUS.

 

Hobby

Nadar e patinar e jardinar!

 

Praia ou neve?

As duas!

 

Saudades de?

Dos meus pais e dos meus irmãos que já partiram! O meu irmão Zé Maria, fundador desta clínica com o Dr. António Malheiro, devia gostar imenso de ver o Centro de Exercício Clínico em ação na CLINICA PARQUE DA CIDADE.

 

ERS: E119722

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